A intolerância à lactose como Um fato do século XXI?

23 Sep    Uncategorized via102
Sep 23

A intolerância à lactose como Um fato do século XXI?

Nos últimos anos tem aumentado o número de pessoas com intolerância à lactose, sobretudo em idades precoces, e cada vez é mais frequente que alguém do nosso meio ambiente sofre deste distúrbio.
Algumas pessoas podem pensar que é algo “da moda”, que antes não se ouvia, mas os dados mostram que já na época de Hipócrates, no ano 400 A.C., descreve uma série de sintomas intestinais em algumas pessoas depois de consumir lácteos, como leite e queijo. No entanto, é a metade do século XX, quando aparecem os primeiros casos médicos documentados de intolerância à lactose.

Ao longo da história, estabeleceu-se uma clara relação de causa e efeito com o hábito de tomar leite, de forma que as populações “gado” que se alimentam de leite animal ao longo das gerações, apresentam menos intolerância à lactose que as populações que tradicionalmente não consumiam.
O que é lactose?
A lactose é o chamado açúcar do leite. Está presente em todas as leites de mamíferos e que pode também ser encontrado em muitos alimentos preparados.
O leite humano é a que contém mais lactose, cerca de 7g/100ml, seguida de leite de vaca e ovelha, com cerca de 5mg/100ml e de cabra com 4,4 mg/100ml.
Para digerir a lactose é necessária a presença de lactase no intestino. É uma enzima que desdobra a lactose em dois açúcares simples, glicose e galactose, para que sejam absorvidos. Se os níveis de lactase são baixos ou esta não realiza bem o seu trabalho, se produz uma incapacidade de digerir a lactose, conhecida como intolerância à lactose.
A nível mundial, a maioria da população adulta têm deficiência de lactase, exceto a população do norte e centro da Europa.
Sintomas da intolerância à lactose
O nível de lactase intestinal é variável, e, juntamente com a quantidade de lactose e o tipo de leite ingerido, a motilidade intestinal, a macrobiota particular do indivíduo ou o consumo de lactose única ou de forma simultânea com outros alimentos, vai determinar a variabilidade dos sintomas e sua intensidade. Os mais importantes são aqueles relacionados com os distúrbios gastrointestinais, como dor e distensão abdominal, flatulência, náuseas e vómitos, alterações do trânsito intestinal. Em alguns indivíduos, podem aparecer sintomas a nível sistémico, mas não é o mais habitual.
Tipos de intolerância à lactose
Deficiência primária de lactase
Ocorre uma perda progressiva da produção da lactase e, portanto, uma perda gradual da capacidade de digerir a lactose. Costuma ocorrer ao longo da vida em certos grupos étnicos e tem uma causa genética. Está correlacionada com a ocorrência de determinados polimorfismos (variações na seqüência de DNA) na região reguladora do gene da lactase (MCM6), que estão associados à persistência da atividade da lactase. A hipolactasia do tipo adulto é o tipo de hipolactasia mais freqüente e aparece os poucos anos do nascimento, evoluindo de forma progressiva.
É difícil conhecer a prevalência real da doença, devido à inespecificidad dos sintomas, mas estima-se que até 40% dos espanhóis pode sofrer intolerância à lactose, segundo a Fundação Espanhola do Aparelho Digestivo (FEAD).
Deficiência secundária de lactase
A diminuição da produção da lactase é secundária, já que é provocada por qualquer causa ou enteropatía. Uma vez a pessoa está curada e quando a mucosa intestinal foi regenerado, desaparece a intolerância à lactose.
Deficiência congênita de lactase
Esta é uma forma rara de intolerância, onde o paciente apresenta sintomas já na primeira exposição ao leite materno. Esta causada por um defeito genético, por causa de uma mutação autossômica recessiva do gene (nacional ou internacional) que codifica a lactase, o que faz com que uma enzima de atividade nula ou mínima. Foram detectados poucos casos no mundo, a maioria deles, curiosamente, na Finlândia. É imprescindível prescrever uma dieta sem lactose para o lactente para evitar lesões e complicações graves em sua mucosa
Porque é importante diagnosticarla a tempo?
A detecção precoce da intolerância à lactose pode prevenir problemas de saúde. A lactase é uma das enzimas intestinais mais sensíveis e vulneráveis. Se você continua com a ingestão de lactose, agrandará a lesão na mucosa intestinal e ocorrerá um círculo vicioso: lesão da mucosa/malabsorción de lactose que será cada vez mais difícil de resolver. Em crianças, pode causar atraso do crescimento.
No entanto, é cada vez mais comum encontrar pessoas que se autodiagnostican intolerância à lactose, o que às vezes leva eliminar os laticínios da dieta de um modo desnecessário, e sem uma supervisão por parte do profissional, podendo resultar em consequências negativas para a saúde.
Como saber se você pode ser intolerante à lactose?
Teste de intolerância à lactose
O teste permite diagnosticar uma predisposição a não persistência de lactase, ou seja, uma predisposição a desenvolver intolerância à lactose, pela perda progressiva de lactase no intestino.
O teste genético analisa dois polimorfismos na região reguladora do gene da lactase intestinal (MCM6), que determina a atividade da enzima lactase. Este método consiste em extrair e amplificar o DNA de uma amostra de saliva do paciente para detectar a presença de genótipos CC do polimorfismo C/T-13910 e o genótipo GG do polimorfismo G/A-22018. As pessoas portadoras de estes genótipos (resultado positivo), podem prevenir os sintomas antes que apareçam (será necessário informar o médico para a adaptação da dieta), e se o teste dá um resultado negativo, isto é, que o indivíduo não apresenta o alelo de risco, não se desenvolverá a intolerância.
Quando aparece a sintomatologia, e o resultado genético é positivo, existem vários testes de diagnóstico. O teste de hidrogênio aspirado, é o mais conhecido, e consiste em medir os níveis de hidrogênio na respiração, em períodos sucessivos após a sobrecarga oral de lactose. Se a lactose não é digerida devidamente a lactase, passa para o intestino grosso, sendo utilizada como fonte de alimento para as bactérias fermentadoras que geram hidrogênio como produto de resíduos. O hidrogênio é absorvido pelo fluxo de sangue e é eliminado na respiração e é o que se recolhe no teste.
Outro método é o teste sanguíneo de tolerância a lactose. Consiste em avaliar os níveis basais e sucessivos de glicemia, após a administração oral de lactose. Se a lactase não funciona devidamente, a lactose não é hidrolisada em suas formas simples (glicose e galactose), o que não ocorre um aumento dos níveis de glucose no sangue. Pode-Se afirmar que existe intolerância à lactose se a glicemia (nível de glicose no sangue) após a ingestão de lactose e não sobe mais de 14,4 mg/dl (0,8 mmol/l) em relação ao valor basal (inicial).
Adaptação da dieta sem lactose
Quando uma pessoa se realiza o teste genético e é positivo, mas não apresenta sintomatologia, recomenda-se seguir uma dieta equilibrada, com uma moderação na ingestão de lactose, sem a necessidade de removê-la por completo da dieta. Mesmo assim, é muito recomendável cuidar da flora intestinal com a suplementação de probiótico vez que se viu o importante papel que a microbiota na prevenção ou desenvolvimento de intolerância aos açúcares.
Se aparece algum tipo e sintomatologia, é necessário realizar um teste de diagnóstico que o confirme. Diante da presença de intolerância à lactose, é necessário fazer as adaptações necessárias para garantir uma dieta sem lactose.
Para isso, será necessário eliminar da dieta os alimentos com lactose, como os lácteos e derivados e produtos que os contenham, em seus ingredientes, como sopas comerciais, molhos, pratos pré-cozinhados, produtos de padaria e pastelaria, carnes e frios, sobremesas e batidos… É importante saber que existem aditivos que são derivados da lactose, pelo que é necessário conhecer e saber interpretar corretamente o rótulo dos alimentos. Assim mesmo, alguns medicamentos contêm lactose. Pode pedir conselhos a seu nutricionista-nutricionista de confiança.
Os alimentos frescos de origem vegetal são alimentos isentos de lactose, já que, como explicamos, a lactose é o açúcar do leite dos mamíferos. As bebidas vegetais de soja, aveia, arroz, amêndoa… são uma alternativa segura e saudável para as pessoas que não toleram o leite de vaca. Além disso, costumam ser ricas em cálcio e vitamina D. Os frutos secos, as sementes de gergelim ou os vegetais de folha verde, ou o peixe azul são fonte de cálcio, vitamina D e K, que contribuem para atender as necessidades diárias.
Nos últimos anos, tem havido um aumento da oferta de produtos lácteos sem lactose. Estes produtos diferem dos originais somente na presença/ausência de lactose, o resto de nutrientes permanece intacto. São uma alternativa de utilidade apenas que pessoas com intolerância à lactose, mas não são essenciais, já que, como mencionamos, existem alternativas vegetais e outros alimentos que nos fornecem os nutrientes do leite.